“Banda Escrita: Rui Zink”: nova exposição 28 de Outubro.

Terceira exposição de um ciclo de cinco dedicada a argumentistas contemporâneos da banda desenhada portuguesa.
Rui Zink (Lisboa, 1961) é um profícuo autor literário (de Hotel Lusitano, 1987, a Osso, 2015), tendo escrito romances, contos, teatro, libretos de ópera e novelas (como a extraordinária A espera, de 2007) e mesmo alguns objectos literários inusitados. Nessa sua produção, integrar-se-á sem diferença de grau ou natureza a sua produção de banda desenhada, que, nas duas colaborações com António Jorge Gonçalves (A arte suprema, 1997, e Rei, 2007) assumiu de imediato um lugar de destaque na história da produção contemporânea portuguesa nessa disciplina. Além disso, mas ainda relacionado com esta área, recordemos que o seu trabalho académico também aí incide, destacando-se o seu importantísismo projecto de doutoramento, que veio a lume em 1999 com o título A Literatura Gráfica? Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea.
Tal como ocorre na sua escrita literária, Zink dá uma particular atenção para com a “intriga” na banda desenhada, voltando a um prazer na narrativa, na construção de personagens, no espelhamento de uma sociedade concreta e hodierna, de que as letras nacionais, de certa forma, andavam arredadas, preferindo voos líricos ou abstracções conceptuais que, ainda que atingissem cumes estéticos, acabavam por pouco reflectir a sociedade imediata em que se mergulhava. Isso não significa, porém, que as suas bandas desenhadas sejam imbuídas de um realismo ao rés-do-chão. Na verdade, esse realismo encontra-se atravessado pelo absurdo, pela ironia política, pela fantasia onírica que transborda das suas personagens para as percepções distorcidas. Isso é ainda reforçado pelas “colaborações”, tão distintas, com os artistas.
Com efeito, os métodos de escrita do autor são muito particulares e nascem de um entendimento muito profundo do que significa a “escrita em colaboração”, jamais subsumindo o artista a um transcritor em imagens de uma hipotética história autónoma, mas antes compreendo aforma como duas vozes se podem reformular mutuamente para chegar a um objecto uno. Poder-se-ia dizer que Zink não é de forma alguma um mero argumentista para artistas, mas antes um co-desenhador dos livros com os seus co-escritores. Esta exposição não se centrará somente nos livros acima indicados, mas igualmente na “peça teatral em banda desenhada” O halo casto, com Luís Louro (1999), algumas das pranchas da imensa saga Major Alvega, com Manuel João Ramos (algumas das quais jamais repescadas d’O independente) e peças curtas que criou com o mesmo artista para a mítica revista K e outras plataformas, com um então iniciante André Carrilho e uma brochura com Cristina Sampaio (destes dois recuperados em alguns dos seus volumes de contos), assim como outros objectos em torno dos métodos e processos de escrita.
Uma vez que muitos dos seus romances estabelecem alianças particulares com os universos da banda desenhada, seja em termos temáticos ou formais – pense-se nos contos de Homens-Aranhas, 1994, ou em O amante é sempre o último a saber, 2011 -, a exposição contará ainda com mostras bibliográficas dos seus escritos.
Agradecimentos: Relógio d’Água, Planeta editores, Pedro Serpa.

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“Ferozes transparências”: nova grande exposição 14 de Outubro

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No próximo dia 14, na Bedeteca da Amadora, abrirá as portas a exposição “Ferozes transparências”, uma mostra da arte original dos grandes fundadores do “Underground comix”, um dos mais importantes capítulos da história da banda desenhada moderna norte-americana (sobretudo, mas que seria de uma influência extrema em países tão distintos quanto Inglaterra e Holanda, França e Portugal). Movimento de uma influência ímpar e que, em larga medida, contribuiria para as mudanças em torno da percepção social, possibilidades estéticas e alcances temáticos da banda desenhada como um todo.
Peças provenientes da magnífica colecção de Glenn Bray, , testemunha desse movimento e impulsionador da circulação artística dessas outras referências, esta será uma oportunidade única para os interessados portugueses verem trabalhos de Bill Griffith, Bobby London, Gilbert Sheldon, Jay Lynch, Jim Osborne, Justin Green, Kim Deitch, Manuel Spain Rodriguez, Rick Griffin, Robert Crumb, Ron Cobb, Rory Hayes e S. Clay Wilson.
A exposição estará aberta a partir de Sexta-feira, 14, mas não haverá cerimónia de abertura. A vernissage oficial terá lugar durante o Festival da Amadora (data a anunciar), para poder contar com a presença de G. Bray.