“Banda Escrita: Nuno Duarte”: nova exposição 2 de Setembro.

Segunda exposição de um ciclo de cinco dedicada a argumentistas contemporâneos da banda desenhada portuguesa.

Nuno Duarte nasceu em Lisboa em 1975, e a sua integração como freelancer na equipa das Produções Fictícias colocá-lo-ia no caminho de se tornar guionista profissional, colaborando em séries televisivas de grande exposição tais como Bocage, Conta-me como foi, Liberdade XXI e Bem-Vindos a Beirais. Na sua escrita para outros suportes, poderemos destacar as séries de animação The Tribe, co-escrita por Duarte, ou Turno da Noite, ambas revelando uma maior possibilidade de controlo narrativo e liberdade conceptual.
Profissional da escrita de guiões para televisão, cinema e animação, mas também autor de contos literários e outros textos, a banda desenhada é tão-somente um outro veículo de expressão para Nuno Duarte, mas no qual procura não apenas respeitar os instrumentos específicos formais a que ela acede, como procura “vestir” os seus colaboradores artísticos de uma forma vincada, em que as características e forças de cada um deles se destaca.
É neste campo que se revelou a um público mais restrito com Paris Morreu, co-criado com Pepedelrey (Livros el Pep/Mmmnnnrrrg), mas comA fórmula da felicidade, em dois volumes (Kingpin Books: 2009-2010), desenhados por Osvaldo Medina, a entrada de Duarte num quadro mais alargado consolidou-se de imediato. Seguir-se-ia O baile com Joana Afonso (Kingpin: 2013) e Fri(c)ções com João Sequeira (El Pep: 2014). Ainda este ano será lançado o livro O outro lado de Z com Joana Mosi, (Kingpin), de que se mostram algumas pranchas.
Apesar da total liberdade e circunstancialidade da colaboração com vários artistas, Duarte tem-se mostrado particularmente atento à realidade, histórica e contemporânea, de Portugal. Mesmo quando a ficção emprega animais antropomorfizados (ou pessoas teriomórficas), como em A fórmula da felicidade, ou até abarca elementos de géneros específicos (o horror-zombie de O baile), as suas histórias estão plenamente ancoradas nas especificidades culturais e até psicológicas da nossa realidade. Forte nos diálogos realistas e em retratos psicológicos dinâmicos e cheios das suas personagens (quase sempre “incompletas”, como seres humanos reais), Duarte não abdica ainda assim de um humor corrosivo virado contra ideias feitas, sobretudo aquelas que fazemos de nós mesmos.

 

Blog do autor (moribundo): http://semcomentarios2.blogspot.pt/

2SET Banda Escrita, Nuno Duarte

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